Sobre mim

Olá, sou a Célia.

Durante muito tempo, achei que descansar era algo que se fazia depois.

Depois do trabalho. Depois dos outros. Depois de cumprir tudo. Depois de aguentar mais um bocadinho.

Vivi muitos anos no fazer, no cumprir, no estar disponível, no tentar dar resposta a tudo. A mente sempre ligada. O corpo a pedir descanso. E eu, muitas vezes, em segundo plano.

Licenciei-me em Serviço Social, mas trabalhei na restauração durante anos, em negócios familiares. Um mundo intenso, exigente e muito humano. Ensinou-me sobre pessoas, relações, resiliência, responsabilidade e comportamento humano.

Por fora, havia conquistas.

Havia trabalho. Havia casa. Havia viagens de luxo. Havia carros de luxo. Havia projetos. Havia aquilo que tantas vezes nos dizem que é sinal de sucesso.

Mas, por dentro, havia uma sensação difícil de explicar.

Cansaço. Ansiedade. Uma inquietação constante. A sensação de estar a viver uma vida que, apesar de cheia, me afastava cada vez mais de mim.

Durante algum tempo, procurei respostas fora.

Nas viagens. Nas escapadinhas. Nos hotéis e restaurantes bonitos. Nas férias que eu ansiava como se fossem salvar-me do cansaço acumulado.

Eram momentos bons. Davam-me ar, beleza, inspiração. Mas quando regressava, a minha vida continuava igual. E eu voltava a sentir o mesmo.

Ao mesmo tempo que lidava com os meus questionamentos, fui seguindo um caminho que me chamava por dentro.

Fui estudando terapias holísticas, autoconhecimento, criatividade terapêutica, bem-estar natural e espiritualidade prática. Tornei-me Terapeuta Holística, Tea Blender e Artesã certificada em Arte têxtil e Costura Criativa.

Na altura, talvez eu achasse que estava apenas a aprender.

Hoje percebo que estava a recolher partes de mim.

A criatividade foi uma das minhas grandes portas de regresso.

Quando eu criava, a minha mente inquieta abrandava. As mãos faziam aquilo que a cabeça ainda não sabia organizar. Um fio, uma cor, uma textura, uma mandala, uma peça feita devagar — tudo isso me ajudava a dar forma ao que eu sentia.

Criar tornou-se uma forma de escuta.

Não era apenas artesanato.

Era presença. Era expressão. Era terapia. Era uma forma de voltar a mim.

Depois veio a pandemia.

E, com ela, uma pausa que até então eu não me tinha permitido fazer.

O mundo abrandou. E eu também.

Sem o ruído habitual, comecei a ouvir o que antes ignorava. Comecei a olhar para a forma como vivia, para o que mantinha por hábito, para o que já não me preenchia, para as necessidades dos outros, para os sonhos dos outros e para tudo aquilo que me afastava da minha essência.

Foi uma fase de confronto, mas também de regresso a mim.

Dessa fase de reflexão surgiu uma decisão: era hora de virar a página.

Divorciei-me, abdiquei de um estilo de vida que já não tinha nada a ver comigo e recomecei do zero.

Uma vida simples. Um novo trabalho. Um novo lar. Mais natureza. Novas amizades. Novos vizinhos. Novos ritmos. Novos horários. E, mais importante, um novo eu.

Não romantizo esse processo.

Recomeçar também assusta. Também exige. Também nos deixa sem chão durante algum tempo.

Mas há uma paz muito própria que nasce quando deixamos de trair a nossa verdade.

Também percebi que o meu bem-estar não podia depender apenas dos momentos em que a vida finalmente me dava espaço, como folgas ou férias.

Eu tinha de criar esse espaço no meu dia a dia.

Foi aí que a pausa deixou de ser um luxo.

Passou a ser uma decisão.

Todos os dias reservo um tempo só para mim.

Um verdadeiro me time.

Não é aquilo que sobra depois de tudo estar feito.

É uma prioridade.

Hoje, a minha vida organiza-se à volta desse tempo.

Porque percebi que, quando cuido de mim, estou mais presente nas minhas relações. Tenho mais energia para trabalhar. Sou mais criativa. Mais equilibrada. Mais eu.

Parar deixou de significar perder tempo.

Parar tornou-se produtivo.

Parar tornou-se essencial.

Uma respiração antes de responder. Uma chávena de chá sem pressa. Um banho tomado com presença. Um momento de criatividade sem produtividade. Um ritual simples para fechar o dia. Uma pergunta honesta antes de continuar: isto ainda faz sentido para mim?

Hoje acredito também que os presentes mais preciosos não se compram.

Estão na saúde. No amor. Num pôr do sol. Num banho de mar. Numa música que toca fundo. Numa conversa verdadeira. No silêncio que acolhe. Na paz de estar onde pertencemos.

Foi desta vida, com tudo o que ela teve de bonito, difícil, intenso e transformador, que nasceu a HoliZen.

A HoliZen é a expressão do meu caminho de regresso a mim.

Nasceu da mulher que viveu tempo demais no fazer. Da mulher que se cansou de se pôr em segundo plano. Da mulher que procurou fora até perceber que precisava de voltar para dentro. Da mulher que encontrou na criatividade, na natureza, nos rituais simples, no autoconhecimento e na espiritualidade prática uma forma de reconstruir a sua vida.

Hoje, uno tudo o que sou e tudo o que aprendi — a visão humana e social, a criatividade terapêutica, as terapias holísticas, o amor pelo natural, o trabalho manual, a experiência de vida e a vontade de criar algo com alma — naquilo que é a HoliZen.

A minha definição de sucesso também mudou.

Hoje, sucesso é acordar com vontade de viver o dia. É sentir o corpo com mais vitalidade. É ter tempo para mim sem culpa. É viver mais perto da natureza. É trabalhar com propósito. É estar rodeada das pessoas certas. É transformar a minha história em algo que possa servir outras mulheres.

Hoje posso dizer que sou feliz.

Só porque sim.

Na minha vida imperfeita.

Não quero ensinar-te uma forma perfeita de viver.

Quero apenas lembrar-te que é possível começares por uma pausa.

Pequena.

Real.

Tua.

Porque, muitas vezes, é nesse gesto simples que começa o regresso a nós.